Obras

Ramita Partita

sculpture
Ramita Partita
Ramita Partita
© Bruno Lopes, cortesia Galeria Pedro Cera
Data

2016

Técnica

Ramo de ameixoeira cortado, mesa rotativa com espelho

Dimensões

110 x 80 x 80 cm

O artista espanhol, a viver no Brasil, Daniel Steegmann Mangrané pode ser considerado como fazendo parte do grande movimento ecologista. As suas peças subtis e delicadas, combinando elementos recolhidos do ambiente natural com objetos e dispositivos feitos pelo homem, exploram dualidades cruciais tais como natureza e tecnologia, sacralidade e capitalismo, sujeito e objeto, interioridade e realidade externa. Com o sentido de poesia que permeia a sua obra, Steegmann Mangrané estimula os espectadores a repensar não só as suas relações com o mundo natural, mas também o seu próprio posicionamento dentro de uma rede alargada de seres vivos sencientes, em vez de serem observadores desligados.

A instalação, - Ramita Partita
, é composta por um ramo de ameixoeira disposto numa mesa espelhada rotativa colocada sobre um tripé. O aspeto orgânico, ramificado e frágil do ramo contrasta com as três fortes linhas de orientação do tripé industrialmente fabricado, a forma perfeitamente circular e polida da mesa e do espelho e o seu movimento mecânico giratório. A presença do espelho abre um campo de reflexão no qual os espectadores podem ver a sua própria imagem justaposta ao fragmento de uma árvore, morto, nu, descoberto e vulnerável. A instalação pode evocar o antigo gabinete de curiosidades (- Wunderkammer
) concebido como uma janela para o mundo exterior, onde coleções de espantosa e rara - naturalia
(objetos de história natural) e - artificialia
(objetos feitos pelo homem) eram frequentemente mostrados sob cúpulas de vidro para serem contemplados e estudados. Pode também referir-se à exposição fria e impessoal de artigos de moda de luxo. Sem dúvida, joga com o facto de a natureza criar, de forma espontânea e abundante, obras-primas (já prontas) por muito simples, sem adornos e modestas que aparentem ser. No entanto, sem as respeitar, os humanos acabarão num mundo artificial, valorizando reminiscências de uma natureza passada, como se fossem descobertas arqueológicas.

Trabalhando com vários meios, o artista convida os espectadores a terem um nível mais elevado de atenção na beleza inerente e sofisticada de uma pequena e delicada peça da natureza, cultivando assim uma capacidade de admiração e espanto.



Katherine Sirois