Obras
A sedução de Miss Europa
painting
![A sedução de Miss Europa [The seduction of Miss Europe]](https://cms.macam.pt/storage/uploads/thumbs/inarte-work-3028_w840.jpg)
![A sedução de Miss Europa [The seduction of Miss Europe]](https://cms.macam.pt/storage/uploads/thumbs/inarte-work-3028_w840.jpg)
Data
1970
Técnica
Óleo sobre tela
Dimensões
112 x 124 cm
- A sedução de Miss Europa
integra o ciclo - As Metamorfoses de Zeus.
Ao longo de nove obras, realizadas entre 1970 e 1979, Nikias Skapinakis interpreta as estratégias usadas pelo deus grego para as suas conquistas femininas, assumindo a forma de um touro (como na presente obra), de outros animais, ou de uma chuva de moedas.
São obras de grande formato, com formas delineadas a simular a colagem, criando grandes manchas monocromáticas de cor lisa, numa composição que, com a maior depuração de meios, tenta ocupar equilibradamente toda a superfície da tela. Obedecem a um esquema formal em que cada um dos quatro limites do quadro é tocado por um elemento da composição. A influência confessa para esta linguagem foi dupla: por um lado, a Pop e os posters dos anos 60, de onde retém a invasão do olhar pela imagem e os planos monocromáticos claramente delineados; por outro lado, os frescos da Vila dos Mistérios, nos arredores de Pompeia, dos quais procura reinterpretar o espírito de síntese e a contenção cromática.
Nesta obra, Nikias delineia sobre um intenso fundo azul uniforme duas figuras em grande plano e de contornos bem definidos. A grande mancha branca do touro, cuja diagonal estabelece a profundidade do espaço e conduz até à mulher nua, sentada junto à cabeça do animal. A contenção cromática potencia a circulação do olhar pelas rimas de tonalidades estabelecidas.
Tal como Europa foi seduzida por um Zeus disfarçado, também o nosso olhar é seduzido pela efusividade pop da imagem. Mas a pintura de Nikias transforma essa captação da atenção numa reflexão que a ultrapassa: com a subtil ironia que o caracteriza, atribui o título de “Miss” à mítica Europa raptada por Zeus para a ilha de Creta, convertendo-a numa miss de um concurso de beleza, como se todos os fenómenos culturais não tivessem como resistir às apropriações da cultura de massas e às novas mitologias por esta geradas. Porém, a pintura mantém o seu poder de fazer um movimento inverso — de provocar uma reflexão sobre essa mesma cultura visual.
Luísa Cardoso
integra o ciclo - As Metamorfoses de Zeus.
Ao longo de nove obras, realizadas entre 1970 e 1979, Nikias Skapinakis interpreta as estratégias usadas pelo deus grego para as suas conquistas femininas, assumindo a forma de um touro (como na presente obra), de outros animais, ou de uma chuva de moedas.
São obras de grande formato, com formas delineadas a simular a colagem, criando grandes manchas monocromáticas de cor lisa, numa composição que, com a maior depuração de meios, tenta ocupar equilibradamente toda a superfície da tela. Obedecem a um esquema formal em que cada um dos quatro limites do quadro é tocado por um elemento da composição. A influência confessa para esta linguagem foi dupla: por um lado, a Pop e os posters dos anos 60, de onde retém a invasão do olhar pela imagem e os planos monocromáticos claramente delineados; por outro lado, os frescos da Vila dos Mistérios, nos arredores de Pompeia, dos quais procura reinterpretar o espírito de síntese e a contenção cromática.
Nesta obra, Nikias delineia sobre um intenso fundo azul uniforme duas figuras em grande plano e de contornos bem definidos. A grande mancha branca do touro, cuja diagonal estabelece a profundidade do espaço e conduz até à mulher nua, sentada junto à cabeça do animal. A contenção cromática potencia a circulação do olhar pelas rimas de tonalidades estabelecidas.
Tal como Europa foi seduzida por um Zeus disfarçado, também o nosso olhar é seduzido pela efusividade pop da imagem. Mas a pintura de Nikias transforma essa captação da atenção numa reflexão que a ultrapassa: com a subtil ironia que o caracteriza, atribui o título de “Miss” à mítica Europa raptada por Zeus para a ilha de Creta, convertendo-a numa miss de um concurso de beleza, como se todos os fenómenos culturais não tivessem como resistir às apropriações da cultura de massas e às novas mitologias por esta geradas. Porém, a pintura mantém o seu poder de fazer um movimento inverso — de provocar uma reflexão sobre essa mesma cultura visual.
Luísa Cardoso