Obras
Sem título
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Data
1924
Técnica
Guache sobre papel
Dimensões
26,3 x 16,5 cm
Jorge Barradas (1894-1971), chegou a iniciar estudos de Pintura na Escola de Belas-Artes, desistindo que não concluiu, assumindo a sua condição de autodidata. Desenvolveu a sua pintura e desenho entre cabarets, teatros e cafés da capital portuguesa, produzindo maioritariamente, no início da carreira, caricatura e ilustração em periódicos e revistas como a ABC, Contemporânea, Eva ou Ilustração Portuguesa.
A par das temáticas cosmopolitas e boémias representadas nas capas destas publicações, o pintor atualiza a imagem da mulher portuguesa nas suas diferentes facetas. Além da garçonne provocadora que frequentava os clubes noturnos, lavadeiras, leiteiras, varinas e vendedeiras eram compreendidas no léxico da representação feminina de Barradas. A estética do pitoresco é recuperada com estas personagens populares, assumindo uma nova visualidade através da abordagem gráfica da ilustração.
Um bom exemplo é este gauche onde vemos uma aguadeira representada com o seu avental, chinelas, lenço na cabeça, xaile e cântaro, todos elementos de uma iconografia identitária desta classe social e ofício. Contrariamente à produção das décadas seguintes, caracterizada por um modernismo comedido, presente no desenho e pintura destas figuras de género, esta composição torna-se interessante pelo seu carácter ilustrativo, mais próximo da caricatura. Neste registo do castiço, em que o pormenor do cântaro partido e a expressão facial, Barradas emprega uma síntese gráfica, que implica, no entanto, atenta observação ao pormenor, aproveitando padrões e texturas de modo decorativo.
Com um promissor começo nos primeiros Salões dos Humoristas (1912 e 1913), Barradas teve uma heterogénea e premiada carreira, explorando o figurinismo em teatro de revista, o suporte de cerâmica e ainda a pintura de pendor surrealista.
RD
A par das temáticas cosmopolitas e boémias representadas nas capas destas publicações, o pintor atualiza a imagem da mulher portuguesa nas suas diferentes facetas. Além da garçonne provocadora que frequentava os clubes noturnos, lavadeiras, leiteiras, varinas e vendedeiras eram compreendidas no léxico da representação feminina de Barradas. A estética do pitoresco é recuperada com estas personagens populares, assumindo uma nova visualidade através da abordagem gráfica da ilustração.
Um bom exemplo é este gauche onde vemos uma aguadeira representada com o seu avental, chinelas, lenço na cabeça, xaile e cântaro, todos elementos de uma iconografia identitária desta classe social e ofício. Contrariamente à produção das décadas seguintes, caracterizada por um modernismo comedido, presente no desenho e pintura destas figuras de género, esta composição torna-se interessante pelo seu carácter ilustrativo, mais próximo da caricatura. Neste registo do castiço, em que o pormenor do cântaro partido e a expressão facial, Barradas emprega uma síntese gráfica, que implica, no entanto, atenta observação ao pormenor, aproveitando padrões e texturas de modo decorativo.
Com um promissor começo nos primeiros Salões dos Humoristas (1912 e 1913), Barradas teve uma heterogénea e premiada carreira, explorando o figurinismo em teatro de revista, o suporte de cerâmica e ainda a pintura de pendor surrealista.
RD