José de Melo Falcão Trigoso (Lisboa, 1879 – 1956) demonstra desde cedo a aptidão para a pintura, recebendo apenas com sete anos, do seu avô e poeta João de Lemos, a sua primeira paleta de tintas, com a qual iniciaria todas as obras futuras, como modo de tributo ao avô. Após concluir os estudos liceais, integra a Escola de Belas Artes de Lisboa, onde é discípulo de Carlos Reis, Simões de Almeida e Veloso Salgado, concluindo o curso de Pintura, em 1901. Ainda enquanto aluno, mostra o seu trabalho na Exposição da Sociedade Silva Porto, em 1900, continuando próximo deste grupo e das suas atividades, as quais tiveram lugar até cerca de 1912. Posteriormente, estaria também ligado ao Grupo Silva Porto (1927-1939) e à Sociedade Nacional de Belas Artes, da qual tinha sido um dos sócios fundadores, em 1901. Em 1920, participa na Grande Exposição de Arte Portuguesa, na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Entre 1946 e 1956, destaca-se a participação nas Exposições Gerais de Artes Plástica. Em termos profissionais, após terminar os estudos, iniciou funções como Diretor na Escola Técnica Vitorino Damásio, em Lagos. Foi ainda diretor e professor na Escola Fonseca Benevides e na Escola de Arte Aplicada António Arroio, marcando toda uma geração pelo espírito de liberdade que incutiu nos alunos. Integrando-se na geração de artistas que deram continuidade à estética Naturalista da geração de 1880, Falcão Trigoso traçou um percurso sólido e amplamente reconhecido em Portugal. Adepto do ar-livrismo, deixou um notável acervo de obras paisagistas, retratanto particularmente a costa Algarvia, região predilecta das suas pesquisas, que apelidou de «Costa de Oiro». Ao longo da sua carreira foi premiado diversas vezes, destacando-se o Prémio Anunciação, em 1900, a medalha de ouro que recebe na Exposição do Panamá-Pacífico, em São Francisco da Califórnia, em 1915, e o 1º Prémio Silva Porto, em 1954. Está representado em várias coleções.
FMV, outubro 2020
FMV, outubro 2020