Obras
Frau mit den roten fischen [Mulher com peixe vermelho]
painting
![Frau mit den roten fischen [Mulher com peixe vermelho]](https://cms.macam.pt/storage/uploads/thumbs/inarte-work-3956_w840.jpg)
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Data
1931
Técnica
Óleo sobre tela
Dimensões
57 x 44 cm
Integrando-se num ciclo de representação feminina, inspirada no Picasso classicizante (como já notou Maria de Aires Silveira no catálogo da Exposição Retrospetiva do Museu Nacional de Arte Contemporânea, em 1996), esta escultórica figura feminina que ocupa o primeiro plano da composição apresenta-se nua, acentuando uma abordagem que Mário Eloy definiu como simplesmente plástico e abstrato.
Num modo narrativo mais simbólico e sugestivo do que representativo, o autor sugere-nos uma personagem absorta na sua própria interioridade. Citação de varina (confirmada pelo lenço e pela rodilha, enrolada como uma rosa negra), a figura é simultaneamente apropriada pela tradição clássica e sintetizada pela modernidade.
A figura apresenta um jogo de revelação/ocultação, desde a representação do corpo à introspeção do olhar. Perto dela, peixes vermelhos repousam numa canastra. Atrás de si, estende-se o areal. Percebe-se uma casa e um barco, de velas recolhidas, está parado junto às águas. Estas estendem-se verdes e planas, quase até ao topo da composição, deixando apenas uma estreita faixa de azul que configura o céu, criando um ponto de vista estranho da representação da paisagem, que apenas é lida como tal pelo uso da cor associada aos elementos que representa, e pela colocação de um barco na linha do horizonte.
O fundo acentua o carácter plástico (e, nesse sentido, abstrato) da composição, dividindo-a em três faixas horizontais de cor, que se contrapõem à horizontalidade da figura do primeiro plano e que são dadas a ler como elementos de paisagem apenas através da inclusão de elementos ‘concretos': a casa, o barco no areal, o outro barco na linha de horizonte e a ilha sobre a qual nasce ou se põe um sol flamejante.
Emília Ferreira
Num modo narrativo mais simbólico e sugestivo do que representativo, o autor sugere-nos uma personagem absorta na sua própria interioridade. Citação de varina (confirmada pelo lenço e pela rodilha, enrolada como uma rosa negra), a figura é simultaneamente apropriada pela tradição clássica e sintetizada pela modernidade.
A figura apresenta um jogo de revelação/ocultação, desde a representação do corpo à introspeção do olhar. Perto dela, peixes vermelhos repousam numa canastra. Atrás de si, estende-se o areal. Percebe-se uma casa e um barco, de velas recolhidas, está parado junto às águas. Estas estendem-se verdes e planas, quase até ao topo da composição, deixando apenas uma estreita faixa de azul que configura o céu, criando um ponto de vista estranho da representação da paisagem, que apenas é lida como tal pelo uso da cor associada aos elementos que representa, e pela colocação de um barco na linha do horizonte.
O fundo acentua o carácter plástico (e, nesse sentido, abstrato) da composição, dividindo-a em três faixas horizontais de cor, que se contrapõem à horizontalidade da figura do primeiro plano e que são dadas a ler como elementos de paisagem apenas através da inclusão de elementos ‘concretos': a casa, o barco no areal, o outro barco na linha de horizonte e a ilha sobre a qual nasce ou se põe um sol flamejante.
Emília Ferreira