Obras
Sem título (Homem Sentado com Máscara)
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Data
c. 1930-1935
Técnica
Tinta da China sobre papel
Dimensões
30 x 23 cm
Apesar de o seu treino académico ter sido breve, e de se lhe referir um espírito livre de autodidata, Mário Eloy sempre manifestou interesse por diversos tipos de desenho, das formas mais clássicas às mais experimentais, bebendo a necessária inspiração e informação nas frequentes visitas a museus que fez nas diversas estadas em cidades como Madrid, Paris ou Berlim.
Este desenho a tinta da China, que Mário Eloy ofereceu ao poeta Carlos Queiroz, integra-se numa série de 1930-35, como já foi datado no catálogo da exposição retrospetiva sobre o artista, realizada no Museu Nacional de Arte Contemporânea, em 1996. O traço, rápido e elegante, flui sobre o suporte, como se o aparo mal se tivesse levantado do papel. Ainda assim, e embora reduzidas ao essencial, as linhas sugerem simultaneamente volumes e transparência, cruzando as pernas da figura com a base do banco com a suporta.
Inspiração nas artes de palco (neto de atores e ele próprio com experiência das artes de palco, cuja paixão lhe ficaria para a vida), Mário Eloy apresenta-nos aqui uma personagem entre a vida e o palco. Esse homem sentado, de pernas cruzadas e apoiando no chão as pontas dos pés, dá o perfil ao observador. As costas estão perfeitamente eretas, numa postura elegante que faz pensar num bailarino ou num ‘músico poeta' — como já observou Raquel Henriques da Silva, sobre a série em que este desenho se integra. O braço direito repousa sobre as pernas e a mão segura a máscara que nos olha, frontalmente. Ao fundo, como que pendurado na parede frente a uma tela (ou a uma janela rasgada sobre o mar?), um violino parece enforcado, suspenso pelas próprias cordas, acentuando o drama da composição.
EF
Este desenho a tinta da China, que Mário Eloy ofereceu ao poeta Carlos Queiroz, integra-se numa série de 1930-35, como já foi datado no catálogo da exposição retrospetiva sobre o artista, realizada no Museu Nacional de Arte Contemporânea, em 1996. O traço, rápido e elegante, flui sobre o suporte, como se o aparo mal se tivesse levantado do papel. Ainda assim, e embora reduzidas ao essencial, as linhas sugerem simultaneamente volumes e transparência, cruzando as pernas da figura com a base do banco com a suporta.
Inspiração nas artes de palco (neto de atores e ele próprio com experiência das artes de palco, cuja paixão lhe ficaria para a vida), Mário Eloy apresenta-nos aqui uma personagem entre a vida e o palco. Esse homem sentado, de pernas cruzadas e apoiando no chão as pontas dos pés, dá o perfil ao observador. As costas estão perfeitamente eretas, numa postura elegante que faz pensar num bailarino ou num ‘músico poeta' — como já observou Raquel Henriques da Silva, sobre a série em que este desenho se integra. O braço direito repousa sobre as pernas e a mão segura a máscara que nos olha, frontalmente. Ao fundo, como que pendurado na parede frente a uma tela (ou a uma janela rasgada sobre o mar?), um violino parece enforcado, suspenso pelas próprias cordas, acentuando o drama da composição.
EF