Obras
Sacrifício II
sculpture


Data
1993-1994
Técnica
Ferro
Dimensões
135 x 44 x 19 cm
Se a utilização do ferro na cultura ocidental serviu propósitos utilitários, a dimensão simbólica associada ao fogo, com que é moldado, elevou-o a um estatuto alquímico e misterioso, cujo segredo era detido pelos antigos ferreiros. Depois de um curto período experimental, em que manipula materiais perecíveis e efémeros, o ferro tornou-se, a partir da década de 1980, no único material que o escultor português Rui Chafes utiliza para a construção das suas obras, as quais posteriormente pinta de negro, “apagando” quaisquer marcas de produção e manufatura.
Bastante semelhantes na sua aparência, as obras Cisne I (Soberania e Doença) e Sacrifício II invocam uma estranheza formal assente numa linguagem abstrata, austera e bélica. Cisne I parece surgir como uma presença efémera, uma estranha aparição perdida numa memória que julgamos reconhecer. Esta possível “arma” de cilindros verticais justapostos e unidos por braçadeiras metálicas, ultrapassando a altura do espectador, tanto pode, conceptualmente, garantir a soberania da existência como lançar-nos numa doença cuja angústia poderá ser fatal. Constituída também por um conjunto de cilindros metálicos instalados na parede, Sacrifício I apresenta o contraste entre a leveza das suas formas e o aparente peso associado à ideia de sacrifício, enunciado no título. Pela assimetria desta composição, é possível observar um modo contemporâneo de reforçar a presença da obra, exigindo, no confronto com o espetador, uma experiência que acaba por exorbitar a dimensão espácio-temporal que alguns objetos exigiam no contexto das neo-vanguardas.
JCP
Bastante semelhantes na sua aparência, as obras Cisne I (Soberania e Doença) e Sacrifício II invocam uma estranheza formal assente numa linguagem abstrata, austera e bélica. Cisne I parece surgir como uma presença efémera, uma estranha aparição perdida numa memória que julgamos reconhecer. Esta possível “arma” de cilindros verticais justapostos e unidos por braçadeiras metálicas, ultrapassando a altura do espectador, tanto pode, conceptualmente, garantir a soberania da existência como lançar-nos numa doença cuja angústia poderá ser fatal. Constituída também por um conjunto de cilindros metálicos instalados na parede, Sacrifício I apresenta o contraste entre a leveza das suas formas e o aparente peso associado à ideia de sacrifício, enunciado no título. Pela assimetria desta composição, é possível observar um modo contemporâneo de reforçar a presença da obra, exigindo, no confronto com o espetador, uma experiência que acaba por exorbitar a dimensão espácio-temporal que alguns objetos exigiam no contexto das neo-vanguardas.
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