Obras
Untitled (WE ARE NOT) [Sem título (NÃO SOMOS)]
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![Untitled (WE ARE NOT) [Sem título (NÃO SOMOS)]](https://cms.macam.pt/storage/uploads/thumbs/inarte-work-3919_w840.jpg)
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Data
2021
Técnica
Serigrafia sobre tela
Dimensões
244 x 175 cm
Adam Pendleton é autor de um trabalho multifacetado que reativa as questões abertas pelas vanguardas históricas. A sua prática, assumidamente experimental, tem como base fundacional a ideia de “Black Dada”, termo cunhado pelo artista em 2008 para designar uma filosofia visual que indaga noções pré-concebidas de história e cultura, recontextualizando conceitos como identidade e negritude, e indagando as relações entre passado e presente, legibilidade e abstração, familiar e estranho - postulando, enfim, que o significado se desenvolve sempre através da diferença. Interessado pela redefinição da abstração enquanto linguagem e sistema criativo, Pendleton recorre a um vasto leque de referências culturais e políticas, não raramente adotando imagens e textos existentes, a partir dos quais estabelece uma linguagem própria de formas e gestos transpostos, numa espécie de escrita contínua.
- Untitled (WE ARE NOT)
- ,
de 2021, é simultaneamente uma evolução de trabalhos anteriores e uma síntese de novas estratégias materiais, evocando quer as pinturas “Black Dada” predominantemente minimalistas feitas a partir de 2008, quer os desenvolvimentos que começaram a surgir na sua prática no final de 2016, envolvendo o uso de texto pintado e a gestualidade. A obra faz parte de uma série de pinturas estruturadas a partir da aplicação de sprays, salpicos, gotejamentos e fragmentos de tinta, que são depois fotografadas e transpostas para serigrafia, num processo que anula a materialidade original e esbate propositadamente as distinções entre os atos de pintar, desenhar e fotografar.
Para além de refletir o interesse do artista pelas possibilidades da abstração no domínio das relações entre linguagem, minimalismo e expressividade, a série em que esta obra se integra penetra em territórios sociais e políticos, plasmados no recurso à paleta de preto e branco (que, contudo, o artista recusa associar exclusivamente a questões raciais) e na frase WE ARE NOT. Esta formulação evoca um discurso proferido em 1964 pelo ativista pelos direitos civis dos negros norte-americanos Malcolm X e, simultaneamente, remete para o próprio - Manifesto Black Dada
, de 2008, que sugere que podemos ser definidos através do que não somos:
[…]
Black Dada: We are not naive
Black Dada: We are successive
Black Dada: We are not exclusive.
[…]
As letras enérgicas e o texto sobreposto aludem aos significados históricos daqueles discursos e à sua importância intemporal. Ao mesmo tempo, eles são questionados e relativizados: Pendleton pinta a frase WE ARE NOT- ad nauseum
em várias iterações até que, devido ao simples ato de repetição, as palavras começam a perder sentido, abrindo espaço para algo puramente abstrato e quase irreconhecível enquanto texto e enquanto narrativa.
Joana Baião
- Untitled (WE ARE NOT)
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de 2021, é simultaneamente uma evolução de trabalhos anteriores e uma síntese de novas estratégias materiais, evocando quer as pinturas “Black Dada” predominantemente minimalistas feitas a partir de 2008, quer os desenvolvimentos que começaram a surgir na sua prática no final de 2016, envolvendo o uso de texto pintado e a gestualidade. A obra faz parte de uma série de pinturas estruturadas a partir da aplicação de sprays, salpicos, gotejamentos e fragmentos de tinta, que são depois fotografadas e transpostas para serigrafia, num processo que anula a materialidade original e esbate propositadamente as distinções entre os atos de pintar, desenhar e fotografar.
Para além de refletir o interesse do artista pelas possibilidades da abstração no domínio das relações entre linguagem, minimalismo e expressividade, a série em que esta obra se integra penetra em territórios sociais e políticos, plasmados no recurso à paleta de preto e branco (que, contudo, o artista recusa associar exclusivamente a questões raciais) e na frase WE ARE NOT. Esta formulação evoca um discurso proferido em 1964 pelo ativista pelos direitos civis dos negros norte-americanos Malcolm X e, simultaneamente, remete para o próprio - Manifesto Black Dada
, de 2008, que sugere que podemos ser definidos através do que não somos:
[…]
Black Dada: We are not naive
Black Dada: We are successive
Black Dada: We are not exclusive.
[…]
As letras enérgicas e o texto sobreposto aludem aos significados históricos daqueles discursos e à sua importância intemporal. Ao mesmo tempo, eles são questionados e relativizados: Pendleton pinta a frase WE ARE NOT- ad nauseum
em várias iterações até que, devido ao simples ato de repetição, as palavras começam a perder sentido, abrindo espaço para algo puramente abstrato e quase irreconhecível enquanto texto e enquanto narrativa.
Joana Baião