Obras
Sem título
sculpture


Data
1952
Técnica
Terracota com engobe
Dimensões
31,5 x 27 x 27 cm
Tradicionalmente desvalorizado como matéria final na tradição escultórica ocidental, o barro é um material privilegiado na produção de Jorge Vieira, refletindo o seu interesse quer pelas práticas e imagéticas da produção artesanal e popular portuguesa, quer pelas artes de outras culturas ancestrais. Simultaneamente, e dentro da tradição das vanguardas do início do século XX, a exploração das técnicas da cerâmica e as referências às artes primitivas e de outros contextos civilizacionais, enunciavam a possibilidade de recusa do academismo - constituindo, de certo modo, um instrumento de crítica ou comentário social e cultural.
O trabalho em terracota por parte de Vieira é o resultado de uma intenção estética consciente, de valorização do primordial e do sensorial. A sua pesquisa formal, de filiação surrealista, assume como base a representação orgânica do corpo humano, que progressivamente se transforma e metamorfoseia em estranhos seres. Nesta obra, a forma desenvolve-se esquematicamente em torno de uma cabeça ainda reconhecível (apesar da inusitada deslocação dos olhos), e dos três braços tentaculares que se elevam e dão continuidade ao longo pescoço. A síntese abstratizante dos volumes e a composição equilibrada dos vários elementos, conferem ao conjunto uma estrutura esferoide na qual se evidencia um claro jogo aberto/fechado, e em que podemos detetar uma subversão da forma clássica de “busto”. O tratamento da superfície é marcado pela policromia conferida pelos engobes - técnica antiga que consiste em pintar a cor sobre o barro em determinado momento da sua secagem, levando-o depois ao forno a cozer -, que introduzem marcações rítmicas e grafismos que remetem para um vocabulário ancestral.
Joana Baião
O trabalho em terracota por parte de Vieira é o resultado de uma intenção estética consciente, de valorização do primordial e do sensorial. A sua pesquisa formal, de filiação surrealista, assume como base a representação orgânica do corpo humano, que progressivamente se transforma e metamorfoseia em estranhos seres. Nesta obra, a forma desenvolve-se esquematicamente em torno de uma cabeça ainda reconhecível (apesar da inusitada deslocação dos olhos), e dos três braços tentaculares que se elevam e dão continuidade ao longo pescoço. A síntese abstratizante dos volumes e a composição equilibrada dos vários elementos, conferem ao conjunto uma estrutura esferoide na qual se evidencia um claro jogo aberto/fechado, e em que podemos detetar uma subversão da forma clássica de “busto”. O tratamento da superfície é marcado pela policromia conferida pelos engobes - técnica antiga que consiste em pintar a cor sobre o barro em determinado momento da sua secagem, levando-o depois ao forno a cozer -, que introduzem marcações rítmicas e grafismos que remetem para um vocabulário ancestral.
Joana Baião