Sem título
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© MACAM
Data

1952

Técnica

Tinta da China sobre papel vegetal

Dimensões

30 x 23 cm

Numa linguagem estilizada, que Cruzeiro Seixas cultivou com rigor, este desenho, provavelmente ainda da época da sua vida na Marinha Mercante, mostra-nos um universo de inspiração clássica, a lembrar as atmosferas de Chirico. Citações arquitetónicas misturam-se com formas orgânicas de natureza híbrida. Fragmentos de corpos de distintas origens agregam-se para criar a figura central. Uma cabeça aparentemente humana coroa um corpo composto por vários elementos esféricos, como grandes fragas globosas por entre as quais corre um curso de água que cai em cascata. Elementos arquitetónicos em citação de aqueduto e uma cauda de peixe completam esse corpo estranho, que parece tombar de um voo trágico. Estruturas ondulantes e rasgadas que sugerem pesadas asas quebradas recordam a afirmação do artista de que não criava asas para voar, mas para cair. Com espessura de construção em pedra, essas asas ondulantes dotam a composição de grande dinâmica espacial.
Criado a duas cores, o negro da tinta-da-china e o branco do suporte, é o rigor cirúrgico do traço que modela a composição. Os volumes criados, num jogo em que interiores e exteriores se confundem, destacando zonas de luz e nuances de sombra, conferem a todos os elementos uma clara qualidade escultórica que, pelo onirismo da cena, resulta lunar e fantasmagórica. Como se ainda suspenso pelas duas diagonais paralelas que quase cortam a composição em dois momentos, um do voo e outro da queda, o híbrido e estranho ser tombado parece debater-se ainda, contrariando o fim.
EF

Obras

(5)

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